sábado, 5 de dezembro de 2009

AH, INSPIRAÇÃO!


Inspirar o ar

Inspirar a ação

Para onde foi?

Para onde vou, alucinação


Ah, inspiração!

Expirou o tempo

Cancelou a voz

Interrompeu o canto

Extirpou o vento

E o escrever se foi.


Ah, encantamento!

Alucionou a vida

Expirou o ar

Implodiu o pranto

Eclodiu meu sono.


Ah, meu coração!

Agitou meu sono

Me fez tão constante

Me fez tão amante

Elevou meu ego.


Ah, minha paixão!

Me fez tão sacana

Eu que fui tão santa

Eu que fui tão lúcida

Fiquei meio lânguida

Insana ação.


Ah, minha saudade!

meio sonolenta

meio imperativa

Me leva no tempo.

Com uma vontade de correr ao vento

cantar meu canto

Ter todo o tempo

Chorar no canto

Abraçar teu corpo

Sob o firmamento, ver a lua,

Andar ao léu

estrelas no céu

luz prismática.

E louca de paixão sentir teu cheiro

Voar pelo ar

Soltar meu mal de ser animal.

Vencer meu carma de ser poetisa,

viver de brisa

transgredir o tempo.

Qual a nossa sina, a nossa vida o nosso canto?


(Luzia/1997)



Nenhum comentário:

Postar um comentário